Resenhas

Cidades de Papel, John Green

Cidades de Papel“Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que em um cinco de maio que poderia ter sido outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo é agora um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele achava que conhecia.”

“É muito difícil ir embora – até você ir embora de fato. E então ir embora se torna simplesmente a coisa mais fácil do mundo.”

Quentin Jacobsen é um nerd que está prestes a se formar no ensino médio. Junto com seus melhores amigos Radar, um jovem negro cujos pais são obcecados por papais noéis negros, e  Ben, que foi apelidado de Ben-Mija-Sangue por causa de uma infecção renal; eles querem apenas se divertir o suficiente para ter memórias incríveis quando se separarem para a faculdade.

Q, como é chamado pelos amigos, é apaixonado por Margo Roth Spiegelman, a popular do colégio. Eles eram amigos quando crianças, mas se distanciaram. Em um dia normal, Margo pula pela janela do quarto de Q, o convidando para um plano que ela tem em mente e Q aceita na hora. O namorado de Margo traia ela e seus amigos, que sabiam de tudo, preferiram nunca contar nada. Agora Margo quer vingança.

O plano é um sucesso e Q acha que, no dia seguinte, tudo vai voltar ao que era entre eles. Porém, no dia seguinte na escola, Q descobre que Margo está desaparecida. Faltando 23 dias para a formatura do ensino médio. Os pais dela acham que é só mais uma tentativa de chamar atenção, mas Q não vê por esse lado. Tentando descobrir para onde ela possa ter ido, ele descobre várias pistas que podem leva-lo ou não até Margo.

“Fazer as coisas nunca é tão bom quanto imaginá-las.”

Nessa busca por Margo, Q começa a fazer coisas que ele nunca imaginava fazer: faltar aulas, invadir propriedades alheias, mentir para seus pais e dirigir em alta velocidade. Durante a busca pela próxima pista, ele se redescobre como um ser humano e começa a ver as pessoas e o mundo de uma outra maneira.

Horas antes da formatura, Q e seus amigos, junto com Lacey – melhor amiga de Margo – embarcam em uma viagem rumo a Nova York. Q tem certeza de que ela está lá. Durante a viagem, eles passam por várias situações inusitadas. Ao chegar no destino, nada é encontrado. Eles esperam por horas, mas Margo nem ninguém aparece. Q tem tanta certeza de que Margo irá aparecer que deixa seus amigos voltarem para casa e participarem da formatura enquanto ele fica em um lugar desconhecido esperando por alguém que talvez ele também não conheça.

O final é amargo. Você acompanha toda a trajetória de Quentin e seus amigos e mantém aquela esperança de que eles iram encontrar Margo e que ela estará bem. Mas não é bem assim. Margo não deixou as pistas para encontra-la, deixou para que Quentin nunca esquecesse dela. Ela não queria ser encontrada. Inclusive, ela é mal agradecida, pouco se importante com tudo que eles fizeram para chegar até ali e encontra-la.

Cidades de Papel é um dos meus livros preferidos do autor. É cheio de reflexões que nos fazem pensar se não somos iguais a Quentin, que imaginava uma Margo totalmente diferente do que ela era realmente. Será que não vemos as pessoas como gostaríamos que elas fossem e, quando elas não correspondem com as nossas expectativas, acabamos nos decepcionando e pondo a culpa nelas? Talvez a culpa seja nossa. Enfim, acho que é um livro fantástico.

“Mas as coisas vão acontecendo… as pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos… E nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável. (…) Mas ainda há um momento entre o momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nós rompemos por completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros. “
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