Resenhas

As Crônicas de Gelo e Fogo: A Dança dos Dragões, George R.R. Martin

A Dança dos Dragões“O Norte jaz devastado e num completo vazio de poder. A Patrulha da Noite, abalada pelas perdas sofridas para lá da Muralha e com uma grande falta de homens, está nas mãos de Jon Snow, que tenta afirmar-se no comando tomando decisões difíceis respeitantes ao autoritário Rei Stannis, aos selvagens e aos próprios homens que comanda. Para lá da Muralha, a viagem de Bran prossegue. Mas outras viagens convergem para a Baía dos Escravos, onde as cidades dos esclavagistas sangram e Daenerys Targaryen descobre que é mais fácil conquistar uma cidade que substituir de um dia para o outro todo um sistema político e económico. Conseguirá ela enfrentar as intrigas e ódios que se avolumam enquanto os seus dragões crescem para se tornarem nas criaturas temíveis que um dia conquistarão os Sete Reinos?”

No quinto volume da saga As Crônicas de Gelo e Fogo, vamos ficar sabendo o que está acontecendo com os personagens que ficaram de fora do volume anterior, O Festim dos Corvos. Os acontecimentos desses dois volumes são simultâneos, até uma certa parte onde as duas histórias se encontram dando continuidade.

Nesse livro, diversos personagens precisam tomar difíceis decisões. Jon Snow agora é líder da Patrulha da Noite e precisa tomar decisões importantes enquanto tenta lidar com Stannis Baratheon e seu exército. A muralha não se encontra em um estado muito bom. Está bastante prejudicada pela batalha que ocorreu no terceiro volume, A Tormenta de Espadas, e os mantimentos estão acabando dificultando a vida de todos. A jornada de Bran em busca do Corvo de Três Olhos é bem interessante. Suas visões e ensinamentos parecem ter uma grande importância para o futuro da saga.

“O Norte se lembra, Lorde Davos. O Norte se lembra, e a farsa está quase no fim.”

Já em Meeren, Daenerys precisa administrar a cidade enquanto tenta lidar com seus três dragões cada vez maiores e mais perigosos. A personagem durante todo o livro age como Rainha com decisões políticas e lidar com movimentos sociais. Os capítulos de Daenerys são um pouco arrastados, ela comete bastante erros e toma atitudes que são um pouco absurdas. Nesse livro podemos ver claramente que, talvez, ela esteja perdendo um pouco a cabeça. Tyrion Lannister conseguiu escapar da irmã com a ajuda de Varys, depois de assassinar seu pai. No outro lado do Mar Estreito, ele agora quer apenas sobreviver, tentando passar despercebido pois sua cabeça está á premio. Em Essos ele fica envolvida em uma trama de conspiração e segredos. Illyrion Mopatis, antigo guardião de Daenerys, o envia em uma jornada até Meeren para ajudar a Mãe dos Dragões a voltar para Westeros.

Winterfell está sob o domínio de Ramsay Bolton. Theon ainda é seu prisioneiro e a transformação do personagem é um dos pontos altos do livro. A mudança da mente do personagem, da transição do antigo personagem para a construção cruel do mesmo. Já Cersei Lannister continua na mesma situação, presa em Porto Real, vítima de suas próprias manipulações.

“Você morrerá uma dúzia de mortes, rapaz, e cada uma delas doerá… mas quando sua morte verdadeira chegar, você viverá de novo. A segunda vida é mais simples e mais doce, dizem.”

A Dança dos Dragões é quase como um início do fim, já que resta apenas mais dois livros para finalizar a obra. É cheio de reviravoltas, intrigas, manipulações. O livro é empolgante e repleto de surpresas. Alguns capítulos são um pouco arrastados, mas nada desanimador. A narrativa de Martin flui bem, sempre surpreendendo o leitor por tamanha criatividade e sabedoria para a construção de novos personagens, locais, etc. Agora resta esperar pela tão aguardada continuação, Os Ventos do Inverno.

Leia também:
A Guerra dos Tronos.
A Fúria dos Reis.
A Tormenta de Espadas.
O Festim dos Corvos.

Anúncios
Filmes

Crítica: A História Real de um Assassino Falso

 

Resultado de imagem para critica a história real de um assassino falso

Mais uma produção original Netflix, a comédia de ação A História Real de um Assassino Falso é um filme leve que rende muitas risadas.

O excelente Kevin James interpreta o Sam Larson, um cara que trabalha em um escritório e, nas horas vagas, tenta terminar de escrever seu primeiro livro. Após inúmeras rejeições, Sam misteriosamente consegue um contrato para publicação online, isso ocorreria sem mexer em nada do que ele escreveu, com exceção de uma palavra que dá início a toda confusão que o personagem se mete desde então. O que era para ser uma obra de ficção baseada em relatos de um amigo, acaba sendo vendido como uma autobiografia.

As primeiras cenas de ação do filme são provenientes da imaginação de Sam. Enquanto ele escreve seu livro, o telespectador enxerga a mente do personagem e podemos ver como ele imagina as lutas e diálogos do livro. Kevin James tem o mérito em todas as cenas de ação do filme, pois encarou com seriedade as aventuras do personagem.

Resultado de imagem para critica a história real de um assassino falso

Deixando a vida monótona para trás, Larson vai para a Venezuela onde tenta sobreviver nas guerrilhas venezuelanas. O filme traz o humor na medida certa, fazendo assim que as piadas não se tornem repetitivas. Ponto positivo para as paradas na trama para aspirante a escritor pensar no futuro de seus personagens.

Porém, a comédia lançada pela plataforma de streaming em 2016, tem seu lado sério mostrando as denúncias políticas e a influência do poder. É colocado as revoluções latinas, as tentativas de matar ou afastar o presidente do país, os chefões do tráfico, a corrupção. Tudo que já conhecemos.

Mesmo tendo mais do mesmo, a trama clichê, o filme é excelente para arrancar boas risadas do telespectador. Com um enredo divertido – um gordinho atrapalhado sem muita confiança tendo que fazer o possível e impossível para conseguir sobreviver – o diretor Jeff Wadlow tem os méritos pelos momentos inteligentes da trama e a dosagem certa da comédia. Para quem gosta dos bons tempos da Sessão da Tarde irá ter uma boa experiência.

Resenhas

O Assassinato de Roger Ackroyd, Agatha Christie

O Assassinato de Roger Ackroyd“Em uma noite de setembro, o milionário Roger Ackroyd é encontrado morto, esfaqueado com uma adaga tunisiana – objeto raro de sua coleção particular – no quarto da mansão Fernly Park na pacata vila de King’s Abbott. A morte do fidalgo industrial é a terceira de uma misteriosa sequência de crimes, iniciada com a de Ashley Ferrars, que pode ter sido causada ou por uma ingestão acidental de soníferos ou envenenamento articulado por sua esposa – esta, aliás, completa a sequência de mortes, num provável suicídio. Os três crimes em série chamam a atenção da velha Caroline Sheppard, irmã do dr. Sheppard, médico da cidade e narrador da história. Suspeitando de que haja uma relação entre as mortes, dada a proximidade de miss Ferrars com o também viúvo Roger Ackroyd, Caroline pede a ajuda do então aposentado detetive belga Hercule Poirot, que passava suas merecidas férias na vila. Ameaças, chantagens, vícios, heranças, obsessões amorosas e uma carta reveladora deixada por miss Ferrars compõem o cenário desta surpreendente trama, cujo transcorrer elenca novos suspeitos a todo instante, exigindo a habitual perspicácia do detetive Poirot em seu retorno ao mundo das investigações. O assassinato de Roger Ackroyd é um dos mais famosos romances policiais da rainha do crime.”

A narração de todos os acontecimentos acontece através do Doutor James Sheppard, o médico da pacata vila King’s Abbott. No inicio do livro, acompanhamos o desfecho da morte da Sra. Ferrars – uma viúva que aparentemente tomou a dose errada da sua medicação para dormir ou – de acordo com a suspeita de Caroline, a irmã do Dr Sheppard – ela teria cometido suicídio pela culpa da morte do marido. O marido da Sra Ferrars morreu devido a uma ingestão acidental de soníferos. É claro que a bisbilhoteira Caroline acredita que na verdade foi a esposa dele que o matou por envenenamento. Logo após, acontece outro assassinato que desencadeia toda a nossa história.

Roger Ackroyd, um magnata também viúvo, é assassinado a sangue frio dentro de seu próprio quarto. Após receber uma ligação, aparentemente do mordomo de Ackroyd – Parker – Dr. Sheppard vai até a mansão Fernly Park. Ao chegar lá, descobre que ninguém ligou e desconfiado pede para falar com o amigo. É então que encontra Ackroyd sentado em sua poltrona, assassinado com sua própria adaga tunisiana – um objeto raro de sua coleção.

“Fiz o pouco que tinha para ser feito. Fui cuidadoso para não desfazer a posição do corpo e para não tocar absolutamente na adaga. Não haveria nenhum benefício em fazê-lo. Ackroyd estava claramente morto havia algum tempo.”

Mais cedo naquela noite, Ackroyd fez um jantar onde várias pessoas compareceram, inclusive Sheppard. Os boatos que rolavam era que Sra Ferrars e Ackroyd estavam noivos, e ela estava sendo chantageada. Após o jantar, Sheppard e Ackroyd vão para o escritório  do milionário para que ele revele para o Dr a chantagem que a noiva vinha sofrendo e, durante a conversa, ele recebe uma carta revelando o possível chantageador. Depois que deixou o amigo no escritório, Sheppard volta para casa.

A pedidos da sobrinha do morto, Hercule Poirot entra em ação. O famoso detetive belga tem o dever de descobrir a verdade sobre o que aconteceu naquele quarto na noite do assassinato. Ele tem inúmeras pessoas que teriam motivos para matar o milionário. Contando com a ajuda de Sheppard, Poirot começa a sua investigação recriando a cena do crime. Caroline, que adora fofocar sobre a vida dos vizinhos, acaba sendo muito útil ao detetive.

“Mas eu gostaria que Hercule Poirot não tivesse nunca se aposentado e vindo para cá cultivar abóboras.”

A escrita é de maneira objetiva, deixando a leitura deliciosa e fluída. Adorei a construção dos personagens. Todos tem algo a esconder e vão fazer de tudo para que seus segredos se mantenham sigilosos. E é muito legal de ver que todos esses segredos tem uma ligação com a trama principal, e que sem esses segredos não poderíamos desvendar o crime. E o final é surpreendente, não é a toa que Agatha Christie é a rainha do mistério. A maneira como ela construiu o enredo, os motivos do culpado e como ele fez o assassinato me deixou bastante intrigada. Nem de longe poderia ter imaginado quem era o culpado.

O Assassinato de Roger Ackroyd foi o primeiro livro que eu li da autora e simplesmente amei. A trama é instigante, aguçando a curiosidade do leitor.

 

Seriados

Review: The Crown – 1ª temporada

Resultado de imagem para review the crown 1 temporada

The Crown aborda de maneira excelente a vida da Rainha Elizabeth II, com o foco principal na coroa como o título já deixa claro. Em 10 episódios, o roteirista e criador Peter Morgan mostra na série de produção mais cara da história da Netflix o casamento de Elizabeth (Claire Foy), aos 21 anos, com Philip (Matt Smith), e seu preparo para assumir a monarquia em um futuro próximo já que seu pai Rei George VI (Jared Harris) está lutando contra um câncer.

Presenciamos a diferença entre a Elizabeth mãe, esposa, filha e irmã da Elizabeth II, a Rainha. Elas não são a mesma pessoa e há inúmeros diálogos durante a série com o objetivo de fazer o telespectador entender essa transição que quanto mais o tempo passa, mais se torna difícil. A série não romantiza a coroa, pelo contrário, a intenção é mostrar o quanto esse trabalho é difícil.

A série mostra os problemas enfrentados nos primeiros anos da coroação de Elizabeth. Seus dilemas, as questões familiares, questões do estado, a decisão que ela precisa tomar como Rainha em relação a sua irmã, a Princesa Margaret (Vanessa Kirby), que começa a seguir os mesmos passos do tio Duque de Windsor (Alex Jennings) que abdica do trono para casar com uma mulher divorciada. Proibir o casamento da irmã é algo que Elizabeth não está feliz em fazer, porém ela precisa tomar essa decisão devido ao grande escândalo que isso ocasionaria para a Coroa.

Resultado de imagem para review the crown 1 temporada

A série foi planejada para seis temporadas, com 10 episódios cada. Em cada temporada, o roteiro irá abordar mais ou menos dez anos na vida da Rainha. Mostrando seus dilemas, os problemas que ela precisa enfrentar como governante do Império Britânico.

A interpretação de Claire Foy está impecável. Ela traz humanidade para a personagem, acompanhando de uma forma incrível a transição de Elizabeth. No inicio da temporada, Elizabeth é tímida e doce, mas aos poucos cede lugar á uma forte governante. E Foy faz essa transição com maestria, digna de um Globo de Ouro. Matt Smith também entrega uma incrível interpretação. Ele consegue fazer com que o telespectador veja um Philip apaixonado pela esposa, porém sofrendo com a transformação da mesma. Ele tem que abrir mão da vida que deseja ter para ter uma vida pré estabelecida onde ele é jogado para escanteio sem vontade própria.

Com atuações maravilhosas e um cuidado minucioso com a história, The Crown entrega uma primeira temporada excelente, com muito potencial. A segunda temporada estreou na Netflix no último dia 8 e também já mostra que há 10 episódios de peso. Em breve o review da segunda temporada já estará disponível aqui no blog.

Resenhas

Boneco de Pano, Daniel Cole

Boneco de Pano“O polêmico detetive William Fawkes, conhecido como Wolf, acaba de voltar à ativa depois de meses em tratamento psicológico por conta de uma tentativa de agressão. Ansioso por um caso importante, ele acredita que está diante da grande chance de sua carreira quando Emily Baxter, sua amiga e ex-parceira de trabalho, pede a sua ajuda na investigação de um assassinato. O cadáver é composto por partes do corpo de seis pessoas, costuradas de forma a imitar um boneco de pano. Enquanto Wolf tenta identificar as vítimas, sua ex-mulher, a repórter Andrea Hall, recebe de uma fonte anônima fotografias da cena do crime, além de uma lista com o nome de seis pessoas – e as datas em que o assassino pretende matar cada uma delas para montar o próximo boneco. O último nome na lista é o de Wolf. Agora, para salvar a vida do amigo, Emily precisa lutar contra o tempo para descobrir o que conecta as vítimas antes que o criminoso ataque novamente. Ao mesmo tempo, a sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf, e o detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele – e com seu passado – do que qualquer um possa imaginar. Com protagonistas imperfeitos, carismáticos e únicos, aliados a um ritmo veloz e uma deliciosa pitada de humor negro, Boneco de Pano é o que há de mais promissor na literatura policial contemporânea.”

“Nenhuma daquelas pessoas fazia ideia do monstro que passava por elas: um lobo em pele de cordeiro.”

O detetive William Fawkes, mais conhecido como Wolf, foi afastado por agressão e submetido a um tratamento psiquiátrico. Agora, de volta ao trabalho, ele se depara com um caso chocante: um corpo feito com seis partes de vítimas diferentes. O que mais intriga Wolf é que o corpo está na janela do apartamento de frente para o dele, com a mão apontando para a sua janela. Para deixar as coisas mais complicadas, a ex-esposa de Wolf, a repórter Andrea Hall, recebe um envelope contendo fotos de diferentes ângulos do corpo e uma lista com as seis novas vítimas – e data do futuro assassinato. E o nome de Fawkes é o último da lista.

Ao lado de sua amiga e colega, Emily Baxter, Wolf precisa correr contra o tempo para encontrar as vítimas e protegê-las, enquanto tenta capturar o assassino. Descobrir quem são os mortos e achar a ligação entre eles parece ser o caminho mais rápido a seguir para encontrar o serial killer. Durante a investigação, Wolf percebe que seu passado não foi deixado para trás, como ele imaginava.

O assassino é extremamente inteligente. Ele está sempre um passo a frente da polícia e parece sempre pensar como os investigadores. Suas mortes são cruéis e todos ficam intrigados com a facilidade que o assassino tem para descobrir os planos da polícia antes mesmos deles porem em prática.

“Sete mortos… e até agora as únicas armas identificadas foram flores, uma bombinha e um peixe. […] Lembra-se dos velhos tempos quando as pessoas tinham a decência de simplesmente sacar um revólver e atirar nas outras?”

O livro tem um ritmo eletrizante, que faz o leitor devorar as páginas para desvendar o crime logo. Escrito em terceira pessoa, nos aprofundamos na vida de todos os personagens importante da trama. E assim podemos saber o que eles estão sentindo com a onda de medo que o assassino transmite, mesmo que seu nome não esteja na lista.

Gostei bastante que o autor mostra bem o conflito que a mídia tem com a polícia em casos desse tipo. Através de Andrea, que ao mesmo tempo quer fazer o bem e quer ganhar destaque no jornal em que trabalha, vemos o quanto a mídia quer ser a primeira a ter o furo de reportagem independente das consequências que isso pode causar. Seu editor faz de tudo para conseguir audiência, mesmo que para isso precise atrapalhar o andamento das investigações, colocando a vida de várias pessoas em risco.

Uma coisa que achei bem intrigante foi que o detetive Wolf era para ser o personagem destaque da história. Pelo fato dele ser o melhor detetive da polícia de Londres, por ele estar dentre as futuras vítimas, porém quem rouba a cena é um novato que só leva esporro dos colegas veteranos. Edmunds prova que ele não está ali só por brincadeira, que ele realmente quer desvendar crimes. Ele é extremamente sagaz, ligando os pontos e fazendo descobertas que realmente valiam de alguma coisa dentro da investigação. Gostei muito do personagem e espero vê-lo de novo nos próximos livros.

“Você está tentando me antagonizar, não está? Por isso eu gosto de você, William. É um homem tenaz, determinado. Se os juízes precisam de mais provas, você inventa essas provas. Se um réu é absolvido pelos jurados, você espanca esse mesmo réu até a morte. Se é afastado da polícia, você dá um jeito e acaba voltando. E mesmo quando está cara a cara com a própria morte, agarra-se à vida com unhas e dentes. É admirável. Realmente admirável.”

Boneco de Pano é o primeiro livro de uma série que terá o Detetive Wolf como o protagonista. O autor Daniel Cole escreveu o livro como o piloto de uma série de TV. A trama é surpreendente, fazendo com que o leitor imagine várias teorias antes de os presentear com um final excelente – e que ninguém conseguiu imaginar. O final encerra essa trama sem pontas soltas, mas deixando uma abertura para um próximo livro. Um dos melhores livros de suspense que eu tive o prazer de ler nesse ano.

Seriados

Review: The Sinner – 1ª temporada

Resultado de imagem para review the sinner 1 temporada

Jéssica Biel interpreta a mãe de família, Cora Tannetti, que tem uma vida comum, normal, até um pouco entediante. Num dia de verão, ela vai para praia com o marido Manson (Christopher Abbott) e o filho pequeno, e em frente a inúmeras testemunhas, ela esfaqueia sete vezes um completo desconhecido.

Diferente de outras séries do mesmo gênero, em The Sinner já sabemos quem matou porém seus motivos são desconhecidos. Apesar de se declarar culpada, Cora não sabe explicar por que cometeu o assassinato e é aí que surge o insistente detetive Harry Ambrose (Bill Pullman) que fica intrigado com o fato e começa a investigar a vida de Cora.

Através de flashbacks, o telespectador conhece a infância e adolescência de Cora ao lado de uma mãe extremamente religiosa. E isso se intensifica ainda mais com a chegada da irmã mais nova que nasce doente. Fica claro que Cora traz consigo traumas religiosos ocasionados por sua mãe, que a culpa pela enfermidade e fragilidade da irmã Phoebe (Nadia Alexander). Essa culpa que Cora alimenta por anos é o combustível para uma relação de dependência entre as duas.

Resultado de imagem para the sinner primeira temporada

Cora se declara culpada e recusa defesa, alegando que precisa ser punida por seus atos. É nesse momento que fica claro que há algo no passado de Cora que consome uma culpa permanente. A relação entre a Cora e o Ambrose é essencial na série por que é através da insistência dele que Cora começa a preencher as lacunas vazias de sua mente. Até então as informações que Cora dava eram controversas, em um momento ela falava sobre algo e no seguinte era totalmente diferente. Aos poucos o telespectador começa a ligar os fatos do passado da Cora com o assassinato sem motivo.

A interpretação de Jessica Biel é maravilhosa, madura e com sensibilidade. Ela mergulha na personagem atormentada que não sabe quem realmente é devido aos buracos em sua mente. Bill Pullman também faz uma interpretação incrível de um detetive com seus conflitos pessoais, mas que se agarra a sua intuição para desvendar seus casos.

A série conta com 8 episódios e já é especulado uma possível segunda temporada. O final é quase previsível, pois não tem como esperar outra coisa sobre os fatos apresentados. Porém, o que aconteceu com Cora e o que a levou para cometer tal ato brutal é de tirar o fôlego, fazendo com que o telespectador não saia da frente da televisão até o último minuto.

Resenhas

O Morro dos Ventos Uivantes, Emily Brontë

O Morro dos Ventos Uivantes“Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta: um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. “Meu amor por Heathcliff é como uma rocha eterna. Eu sou Heathcliff”, diz a apaixonada Cathy. O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais surpreendentes de todos os tempos, O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas, incluindo os belos personagens de Stephenie Meyer.”

“Seja qual for a matéria de que as nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais.”

Em 1801, Lockwood é o inquilino na Granja dos Tordos. Ao ter que passar a noite na fazenda Morro dos Ventos Uivantes devido a uma tempestade de neve, Lockwood é hospedado em um quarto que Heathcliff – o dono das duas fazendas – não permite que ninguém entre. O quarto em questão é de Catherine Earnshaw e depois de ler os livros que eram usados como diário por Catherine, Lockwood fica curioso para saber mais sobre a desconhecida.

Após convencer Sra Dean – que conhece desde sempre a família Earnshaw – de lhe contar sobre a família Earnshaw e o mistérios que giram em torno das duas fazendas, voltamos para 1771 quando Sr Earnshaw volta de uma viagem á Liverpool e traz consigo um órfão que fica conhecido como Heathcliff. Ninguém sabe a origem do pequeno garoto que é criado pela família como filho. Hindley, o irmão mais velho, não suporta Heathcliff e o quanto seu pai gosta do filho adotivo. Já Catherine vira melhor amiga do garoto. Depois que Sr Earnshaw morre, Hindley sujeita Heathcliff a várias humilhações que o tornam melancólico e bruto.

Apesar de amar profundamente Heathcliff, Catherine aceita se casar com Edgar Linton, herdeiro da Granja dos Tordos. Devastado, Heathcliff vai embora e voltando anos mais tarde completamente diferente. Ele agora está rico e sedento por vingança. Tal sentimento irá durar a vida inteira, transformando a próxima geração.

 “Meu amor por Heatchcliff assemelha-se aos rochedos imóveis que jazem por baixo do solo: fonte de alegria pouco aparente mas necessária. Nelly, eu sou Heatchcliff! Ele está sempre, sempre no meu pensamento. Não como um prazer, visto como nem sempre sou um prazer para mim mesma, mas como o meu próprio ser”.

Os personagens de Brontë são complexos. Cathy é extremamente egoísta e mimada, não aceitando que alguém a contrarie. Ela é uma personagem paradoxal, pois, ao mesmo tempo em que é descrita como amável e sensível, é descrita como uma pessoa explosiva e repleta de delírios. Vivia na linha tênue entre a sanidade e loucura. Cathy acaba morrendo de complicações no parto. Já Heathcliff é considerado um herói byroniano, cuja paixão é tão intensa que chega a destruir a si mesmo e aos outros a seu redor. Ele retorna querendo se vingar de Hindley pelos anos de humilhação, de Edgar que roubou sua amada e da própria Cathy que preferiu o status invés de viver com seu amor. Após concluir sua vingança, ele vive atormentado pelo fantasma de Cathy.

Morro dos Ventos Uivantes não é um romance, e a história de amor entre os personagens não é nem de longe saudável. Cathy e Heathcliff se amavam, mas deixaram seus próprios interesses os destruírem e os separarem. Aqui não tem vilão ou mocinho. O livro nos mostra as diferentes faces do ser humano, seus personagens são carregados de sentimentos e emoções que compõem o ser humano, e o rumo dos personagens não é nada mais do que as consequências das escolhas que eles mesmos tomaram – sejam boas ou ruins.